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Déjeuner du matin

Estudei por alguns anos Francês.

O primeiro poema que li foi esse, Déjeuner du matin, do Jacques Prévert, um poeta desencarnado há mais de 30 anos.

Recentemente, a "imagem" do poema me veio à mente duas vezes e ali ficou.

Déjeuner du matin fala de despedida, do fim de uma relação. Um post recente do Servo da Gleba tratou disso e me fez (re)pensar o quanto é doloroso um relacionamento que termina por conta da indiferença de uma das partes, ou de ambas. Aliás, sempre é doloroso, não? Mesmo quando é o que definitivamente queremos!

Mas, segue Prévert:

"Il a mis le café
Dans la tasse
Il a mis le lait
Dans la tasse de café
Il a mis le sucre
Dans le café au lait
Avec la petite cuiller
Il a tourné
Il a bu le café au lait
Et il a reposé la tasse
Sans me parler.

Il a allumé
Une cigarette
Il a fait des ronds
Avec la fumée
Il a mis les cendres
Dans le cendrier
Sans me parler
Sans me regarder.

Il s'est levé
Il a mis
Son chapeau sur sa tête
Il a mis son manteau de pluie
Parce qu'il pleuvait
Et il est parti
Sous la pluie
Sans une parole
Sans me regarder.

Et moi j'ai pris
Ma tête dans ma main
Et j'ai pleuré."

Tradução (minha):

"Ele colocou o café
Dentro da xícara
Ele colocou o leite
Dentro da xícara de café
Ele colocou o açúcar
No café com leite
Com a colherinha
Ele mexeu
Ele bebeu o café com leite
Ele colocou a xícara na mesa
Sem me falar.

Ele acendeu
Um cigarro
Ele fez círculos
Com a fumaça
Ele colocou as cinzas
Dentro do cinzeiro
Sem me falar
Sem me olhar.

Ele levantou-se
Ele colocou
Seu chapéu na cabeça
Ele vestiu
Sua capa de chuva
Porque chovia
Ele partiu
Sem uma palavra
Sem me olhar.

E eu, eu pousei
Minha cabeça na minha mão
E eu chorei."

Comentários

  1. Sheila,

    Destaco o seguinte trecho:

    "Ele fez círculos
    Com a fumaça"

    Para mim, esses dois versos são o ápice do poema. Existe neles a expressão duma indiferença cruel com requintes de deboche e cinismo.

    Fiquei imaginando a cara desse sujeito... =/

    Simples e belo na descrição do acontecimento, o poema conseguiu ser realisticamente árido, tanto quanto um coração desdenhoso pode ser.

    O francês realça toda a dramaticidade.

    A chuva que cai lá fora, simbolizando, a meu ver tristeza e lágrimas, talvez seja a Vida, por completo, chorando a infeliz condição em que se encontram os dois.

    Penso que ele vá voltar, mas diante duma situação insustentável...


    Beijão pra ti, na bochecha, guria!

    ResponderExcluir
  2. Pois é.

    Essa descrição da fumaça é como se ele nem se importasse com ela ali com ele. E quando ela fala que ele vestiu a capa, porque chovia, eu vejo como uma preocupação dela de quem ainda ama e nota que o objeto do afeto está se cuidando... Mas chuva sempre parece relacionada com tristeza, né?

    O poema é bem cru, árido mesmo, como se ela não quisesse contar muito além dos fatos ali tratados. O que importa é que houve aquele café e depois ele foi embora, deixando-a com sua tristeza...

    E é muito bom "analisar" poesia assim! rsrs

    Bisous.

    ResponderExcluir
  3. Livres, leves, soltos, loucos, ignorantes e eternos aprendizes... ;)

    ResponderExcluir

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