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25 em 2013 - Livro 3: Cartas portuguesas



E, seguindo com o auto-desafio de leitura, vou falar hoje do terceiro livro lido - na verdade, relido!

Em meados do século XVII, uma freira portuguesa se apaixonou por um oficial francês de passagem por sua cidade - Beja - e tiveram um romance. 

Anos mais tarde, as supostas cartas de Mariana Alcoforado, a freira, endereçadas a  Noël de Chamilly, o oficial, foram publicadas por um editor francês e, desde então, não faltam especulações sobre a veracidade da origem das cartas e de quem realmente as escreveu. Romântica que sou, fico com a versão de que são reais! Ridiculamente reais, como Fernando Pessoa, através do seu heterônimo Álvaro de Campos, dizia que todas as cartas de amor, quando há amor, são.

Da mesma forma posta pelo poeta português, não falo aqui, desta forma, como uma crítica à freira sua conterrânea, mas como constatação pelo amor quase irracional posto nas ridículas cartas de Alcoforado.

Esta foi a terceira vez que li o livro, esta, uma edição bilíngue, mandada pelo Luís, querido amigo português, há alguns anos.

Na primeira vez que o li, vivendo um amor que parecia perfeito, achei as cartas lindas mesmo que terrivelmente doloridas. Tive pena de Mariana por ter vivido um amor com final infeliz.

Na segunda vez que o li, ao final do romance que parecia perfeito, eu conhecia o sofrimento descrito nas cartas porque era muito próximo ao que eu sentia naquele momento! Chorei sobre as palavras da freira portuguesa, identificando ali a minha dor descrita séculos antes.

Nesta terceira vez, "curada", foi a hora de ter mais pena dela ainda por ainda sofrer sem saber que aquilo não precisava ser permanente.

O amor que, acima, descrevi como quase irracional é escancarado, sofrido, desesperado, carente de amor próprio por parte da portuguesa! Ela coloca todo o seu sofrimento nas palavras escritas para o amante que, friamente, a responde - quando responde!

Não tem como não sentir pena dela. Do seu sofrimento. Da sua fraqueza diante do sentimento novo conhecido e, tido por ela, como impossível de se esquecer, de se livrar.

A vontade que dá, em vários momentos, é de poder dar um abraço em Mariana e lhe dizer que isso vai passar, que a gente não morre por um amor não correspondido. 

Quero crer que, no final, Mariana ficou bem. Quero crer que as feridas dela cicatrizaram, deixando marcas, mas não doendo como quando no começo do abandono.

É um livro do qual gosto muito. Provavelmente ainda relerei outras vezes e, em cada nova vez, com um olhar diferente mas, sempre, sentindo na pele o amor e a dor descritos por Mariana Alcoforado.

Título original: Lettres portugaises
Autora: Mariana Alcoforado
Editora: Assírio & Alvim
Edição: 1ª (desta editora)
Ano: 1998

Comentários

  1. Olá Sheila, não conhecia seu blog, mas to gostando bastante. O meu não é apenas sobre literatura, escrevo um pouquinho de tudo, é uma "misturinha fashion". Mas sou também apaixonada por livros, por isso posto também sobre o assunto. Cheguei ao seu blog através do google, queria a sinopse do livro que estava resenhando e vim parar aqui, aproveitei para comentar, porque tenho uma opinião contraria a sua com relação ao livro "Sheila Levine Está Morta e Vivendo em Nova York".
    Quando puder passar lá pra ver o que acha.
    Bjoos!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Carolzinha,

      Que bom que chegou aqui!

      Vou lá no seu blog também porque fiquei curiosa pra saber sua opinião sobre "Sheila Levine..."

      Beijão.

      Excluir
  2. Ai... posso falar? Não consigo ler as cartas portuguesas. E o pior é que ele é um CLÁSSICÃO aqui na universidade, então assim, eu já deveria ter lido e relido a coleção toda, hahaha. Mas sei lá... sabe quando a gente põe uma barreira e deixa pra lá? Aconteceu isso.

    Menina, tu viu meu comentário no post sobre o filme As vantagens de ser invisível? Bom, como escrevi, me apaixonei, mas estou LOCA caçando um site que o disponibilize de modo rápido e fácil. Você não teria algum pra me indicar? Sempre sofro buscando sites de downloads... e tô doida pra assisti-lo de novo.

    Beijos, espero que esteja tudo bem por aí! ;)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Paty,

      Ele é tão pequenininho que você lê de uma sentada! Tome coragem e vá fundo, vale a pena!

      Quanto a "As vantagens de ser invisível", eu costumo entrar no www.kat.ph e baixo de lá via torrent - sabe como faz isso? - e aí vou no www.opensubtitles.org ou www.legendas.tv e procuro a legenda.

      Coisa simples, garanto! Até porque eu consigo fazer e eu sou meio negação pra essas coisas... rsrs

      Beijão.

      Excluir

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