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Medindo sentimentos

A idéia pra este post veio ao ouvir, pela milionésima vez, minha mãe dizer que não tem filho preferido. "Não é mentira quando alguém diz isso", repetiu ela ela enésima vez, emendando que ela ama diferente os filhos, mas não em intensidades diferentes.

E, mesmo que a provoque com isso de vez em quando, eu acredito. Porque na vida, com tudo, é mais ou menos assim. Tem como a gente mensurar nossos sentimentos em maiores ou menores, por fulano ou beltrano?

Uma vez li uma matéria em uma revista feminina falando dos diferentes tipos de amiga; dizia ali que temos a amiga pra nos ouvir, a amiga pra ir festar, a amiga pra dar conselhos, a amiga pro abraço... Fui comparando os exemplos da revista com minhas amigas:a festeira, ótima companhia pra tudo, mas que, mesmo me ouvindo sempre que eu quisesse, era incapaz de me dar um conselho. A distante fisicamente mas com quem eu podia contar sempre. A próxima que me dava broncas mas era direta e excelente em me entender... 

Percebi que era assim mesmo e que eu não conseguiria dizer de qual amiga eu gosto mais. O que eu sei, hoje, é que amo muito todas, de formas diferentes, por motivos diferentes, mas que, dizer quem eu amo mais ou menos é impossível.

E aprendi que com outros amores também é assim: não amo um irmão mais do que o outro, um sobrinho mais do que o outro, não amo meu pai mais do que a minha mãe, não amei um namorado mais do que o outro. Eu amo a todos, por cada coisinha particular que os tornam especiais, não mais especiais do que o outro, mas, simplesmente, especiais e merecedores de um cantinho no meu coração.

Amor nós não mensuramos: apenas sentimos e tentamos demonstrar. 

E não deveríamos aceitar chantagenzinhas emocionais que nos forçam à escolhas! Nem dizer "eu te amo mais do que amo fulano" só pra agradar alguém porque, além de não podermos medir o amor, ele não pode ser imposto.

Já vivemos com tantas imposições no nosso dia-a-dia, seria justo - ou simplesmente correto - também amarmos por imposição?


_____

Imagem: Julio Gomes

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